Como manter a mente tranquila durante a quarentena?

Brasil 03 de Abril del 2020

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Nayha Carrillo

Como manter a mente tranquila durante a quarentena? Como manter a mente tranquila durante a quarentena?

A ciência, e em parte todos nós, estamos determinados a descobrir o que está acontecendo em nossas mentes. E embora existam recursos para estabelecer alguns padrões, a verdade é que sua mente é tão indecifrável para mim, quanto a minha é para quem lê este texto.

A partir dessas diferenças, sua mente, de maneira isolada, também se comportará de uma forma peculiar, talvez produzindo alguns momentos de desconforto. Portanto, durante este artigo, queremos responder às perguntas mais relevantes para manter a calma durante o isolamento.

Para fazê-lo com o maior cuidado possível, Martin Reynoso, psicólogo, especialista em práticas de atenção plena e professor do Crehana, nos guiará por esse caminho.
Martin Reynoso

Há quem está muito calmo e quem está muito preocupado. Como podemos encontrar o meio termo?

A realidade é que uma parte nossa de alerta, de alarme, é ativada, e não é errado que isso aconteça. Esta situação está cheia de incertezas e não sabemos para onde tudo está indo. O importante é ter cuidado para que esses níveis de medo e alerta não aumentem, para também poder recorrer ao nosso interior e confiar que as coisas, mesmo ruins neste momento, irão se acomodar gradualmente.

Práticas como mindfuness, exercícios físicos no espaço que temos, recreação virtual ou recreativa com outros membros da família podem nos ajudar a navegar melhor pelo confinamento.

Quanto a Internet nos ajuda a conectar-nos socialmente e enfrentar o isolamento?

 A velocidade e a eficácia dos contatos através das redes são muito poderosas e nos dão algum apoio emocional. Só precisamos ter cuidado com a parte informativa da Internet, especialmente com algumas redes sociais, como o Twitter, que são muito sobrecarregadas com informações (geralmente negativas) e exibem pensamentos apocalípticos de seus usuários. Portanto, precisamos saber como reconhecer as fake news (notícias falsas).

© TED Talks, você pode ver a palestra de Martín aqui

Para Martín, este também é um momento em que podemos estabelecer uma conexão com o nosso interior, mesmo que você não tenha dado uma chance a este caminho antes.

Mas com qual ferramenta podemos começar?

A chave é a prática da consciência na respiração e nos sentidos. Podemos nos deitar e sentir nosso corpo da área superior da cabeça até as pontas dos dedos. Sentindo — não imaginando, nem visualizando. Sentindo cada parte.

Inicialmente, nos sentiremos inquietos, chateados, ansiosos e talvez até incomodados pela quietude. Mas é o primeiro impacto. Logo estaremos adquirindo mais níveis de calma. Na prática do mindfulness, dizemos que somos como o mar: na superfície há ondas e movimentos intensos, mas, no fundo do mar, há silêncio, muito silêncio e calma.

Devemos nos sentir mal se não podemos ficar calmos quando tentamos?

Algo muito importante para se trabalhar é a aceitação e a bondade de nós mesmos. Em geral, quando as coisas não são como queremos, ficamos rígidos, exigentes e irritantes. Trata-se, então, de apelar para uma consciência mais compassiva e flexível.

Podemos dizer a nós mesmos que tudo isso é momentâneo, que precisamos ser justos com nós mesmos, não nos punirmos pelo que está fora do nosso controle.

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Esta última resposta de Martín me levou a pensar naqueles momentos em que fiquei frustrada por não ter calma quando tentei meditar e fui muito crítica; ou agora, quando tento fazer isso isoladamente.

Mas a conversa virtual com Martín, sem dúvida, levou-me a entender que a calma nem sempre está lá, e que eu não deveria me julgar por isso. Também é superbom usar ferramentas internas para conectar-me a ela sempre que eu precisar. Como sentir e respirar.

Sua mensagem final, que ele considera altamente pessoal, e acho que você será capaz de fazê-lo, é que todos nos concentremos essa crise em uma transformação interna. Nas suas palavras:

“Temos que abrir nossos olhos, mas com uma profunda conexão com nossos corações. Não há desenvolvimento para a humanidade sem um coração altruísta. Como o monge Matthieu Ricard me disse uma vez: Martin, não é tanto a mente plena (mindfulness), mas o coração pleno (heartfulness)”.

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A partir desta mensagem direta no peito, vamos nos olhar sem julgamento e com amor? Até a próxima!

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